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Centro de memória vai preservar a ancestralidade de terreiro em Teixeira de Freitas

Por Karine Moraes

— O Memoriô, projeto de extensão da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), está criando um centro de memória para um terreiro de umbanda. O escolhido foi a Tenda de Umbanda Luz Divina de São Jorge, localizada na cidade de Teixeira de Freitas. A proposta busca resgatar a memória e a ancestralidade do terreiro, trabalhando na preservação do patrimônio cultural e imaterial da religião, além de abordar questões como o racismo religioso.

De acordo com a coordenadora do projeto e professora do centro de formação em ciências da saúde da UFSB, Gabriela Andrade da Silva, o terreiro foi escolhido pela importância que possui no território. Ela explica que, além de religião, a umbanda é uma manifestação cultural vinda a partir do sincretismo religioso, englobando influências de outras culturas e destacando a necessidade de resgatar as memórias e raízes que dão força para a realização dos trabalhos:

“Diante de algo que já era uma demanda que eu vinha sentindo da casa, que vinha sendo passada pela nossa ancestralidade, eu vi também que havia uma oportunidade acadêmica de trabalhar várias coisas interessantes com os nossos estudantes: a primeira é a preservação do patrimônio imaterial e cultural que a umbanda traz, e também de, nesse processo, discutir a questão da intolerância religiosa, do racismo religioso nesse caso”.

A Tenda de Umbanda Luz Divina de São Jorge é um terreiro bastante antigo em Teixeira de Freitas, com 26 anos de trabalho. Possui grande importância na comunidade, realizando não apenas trabalhos espirituais, mas também ações de caridade, como a coleta de alimentos e roupas, que são distribuídos na comunidade, e atendimentos feitos gratuitamente.  

Crédito: Daniel Sousa
Crédito: Daniel Sousa

 Ao analisar registros históricos, e centros de memória, como livros e museus, é nítida a predominância da influência cristã. Em contrapartida, as religiões indígenas e de matriz africana, como a umbanda, são historicamente silenciadas em nosso país. O projeto Memoriô surge para dar voz a essa realidade oculta. “A gente entende também que o próprio terreiro em si traz uma ancestralidade que já é uma memória viva e que nós, então, precisamos resgatar e preservar”, afirma Gabriela. Ela complementa que o objetivo é “justamente para que a gente possa fazer com que seja visto aquilo que vem sendo negado no nosso processo de colonização”.

O projeto pretende estabelecer um centro de memória dedicado à tenda, reunindo e preservando um acervo diversificado. Serão coletados documentos, imagens e objetos sagrados, como vestuários, cachimbos e ferramentas de trabalho dos guias. Segundo Gabriela, todos participam dessa etapa, tanto os envolvidos no projeto quanto os próprios integrantes do terreiro. “A gente tem vários filhos e filhas da casa que se disponibilizaram e também estão integrando o nosso projeto e têm participado do resgate dessa memória e da catalogação dos materiais, da organização e também de pensar de que forma nós daremos visibilidade para isso”, explica a coordenadora, que destaca o engajamento emocional dos participantes como a maior surpresa positiva, com propostas interessantes e experiências próprias. 

Além de compor o espaço físico do centro, todo esse material será digitalizado e disponibilizado em um site, que será criado como um centro virtual acessível ao público. A iniciativa também inclui o resgate da história oral, para a construção de uma narrativa da memória da tenda, por meio de conversas com a Mãe Lia, Mãe de Santo do terreiro, e outros integrantes da casa. Ao final do projeto, estão em planejamento três exposições desse trabalho, sendo elas na UFSB, na UNEB e no IFBAIANO, todas abertas à comunidade.

A expectativa é que o site esteja pronto em outubro e que os eventos aconteçam entre o fim de outubro e o começo de novembro. Enquanto o centro de memória está no processo de criação, todas as informações sobre o projeto estão sendo divulgadas no perfil do próprio terreiro, @umbandaluzdejorge, e no perfil da UFSB campus Paulo Freire, @ufsb.cpf . 

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