Por Daniel Santos
— Uma iniciativa da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), em parceria com movimentos sociais e instituições locais, está promovendo formações voltadas a mulheres das periferias de Porto Seguro. O projeto visa fortalecer redes de apoio e combater a violência de gênero por meio da educação popular.
Idealizado pela professora Thais Diniz, o projeto surgiu a partir de relatos de alunas sobre experiências de violência e altos índices de agressões na região. Inspirado nas Promotoras Legais Populares, a proposta busca formar lideranças femininas comunitárias com foco em direitos humanos e justiça social.
“Nosso objetivo é que essas mulheres se reconheçam como protagonistas das suas lutas e tenham ferramentas para atuar coletivamente contra todas as formas de opressão”, explica a idealizadora Thais Diniz.
As atividades são realizadas em rodas de conversa, oficinas e encontros abertos, priorizando uma metodologia participativa e horizontal. A dificuldade de deslocamento até o campus motivou a realização das ações diretamente nos territórios, com apoio de escolas públicas, associações comunitárias, redes de mulheres e o Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres.
“Queríamos um espaço seguro, mais íntimo, de troca entre as mulheres, tanto de experiências quanto de formação, em relação a sistemas que são fundamentais para a emancipação feminina”, afirma a professora.
Maíra, integrante do coletivo Mulheres Sem Medo, relata que conheceu o projeto após vivenciar e denunciar casos de violência no distrito onde atua.
“Nosso coletivo nasceu depois de vários casos de estupro. A gente fez uma manifestação e percebeu que precisava se organizar, se defender e buscar nossos direitos. Com o tempo, vimos que isso era também uma forma de fazer política. Quando vi o projeto de extensão Defensoras Populares, entendi que era justamente isso que a gente já fazia: ajudar outras mulheres de forma coletiva”, conta.
Ela afirma que a participação foi fundamental para ampliar seus conhecimentos:
“A gente precisa saber sobre os nossos direitos sobre guarda dos filhos, acolhimento, violência… Tudo isso tem a ver com como a gente vive em sociedade e como pode se ajudar como mulheres, como comunidade.”


Além de oferecer formação jurídica e política, o projeto incentiva o fortalecimento de vínculos entre as participantes. Segundo a coordenação, a proposta é criar espaços seguros de escuta e troca, valorizando o conhecimento local e a vivência das mulheres nos territórios.
A escolha das localidades considera a atuação prévia das mulheres em conselhos e movimentos sociais. A metodologia, baseada na escuta ativa e na vivência das participantes, direciona as estratégias do projeto conforme as demandas de cada comunidade.
A proposta inclui ações dentro da UFSB e em escolas da rede pública, com o objetivo de ampliar o alcance da formação. A primeira turma já foi formada, e há previsão de continuidade e expansão das atividades nos próximos semestres.
O projeto também tem contribuído para pesquisas acadêmicas voltadas ao fortalecimento de políticas públicas e à atuação do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres. “O desejo é conseguir garantir a continuidade do trabalho a médio e longo prazo, para que ele não só permaneça, mas também cresça e alcance mais pessoas”, afirma a professora Thaís.
Para mais informações acesse o Instagram da iniciativa.