Por Ana Carolina Mont’ Alvão
Qual a relação do mundo jurídico com a atual crise climática que assola o planeta? Uma iniciativa de um grupo de professores e alunos da Universidade Federal do Sul da Bahia busca usar métodos criativos para levar essa discussão aos estudantes de escolas públicas de Porto Seguro.
O projeto usa sessões de cinema e o jogo de tabuleiro “Crise Climática: o desafio jurídico” para facilitar o ensino sobre as mudanças climáticas. Além de aproximar o direito da realidade dos alunos, apresenta leis e ensina sobre caminhos legais relacionados às questões climáticas.
“Pelo que a gente tem de informação, é o único no Brasil com essa temática”, relata Guineverre Alvarez, professora que coordena o projeto. O Cine RG Clima exibe filmes que fazem ligação com o clima, além da relação com direito e vulnerabilidade das comunidades.
A ação do Cine RG já foi divulgada em outros colégios, como o Complexo Integrado de Educação Básica, Profissional e Tecnológica de Porto Seguro (CIEB) e no Colégio Municipal Governador César Borges. E a iniciativa Clima Legal, mais recente, foi desenvolvida inicialmente no CIEB, que contou com a participação de 28 estudantes na primeira exibição de curta e rodas de conversa. Assim, o projeto deve alcançar cerca de 130 estudantes.
Segundo a coordenadora, as ações anteriores do Cine RG Clima tiveram boa recepção nas escolas participantes.

“Teve uma escola em que a atividade seria realizada em apenas uma turma, mas acabamos atendendo três. E em 2026, eles já perguntaram: quando é que vocês vêm para cá? Vamos tentar fazer de novo”, relata Alvarez.
A atividade leva uma nova forma de aprendizado às escolas e facilita a compreensão do tema, aumentando o interesse dos alunos em participar. “Vamos nos apropriar, marcar nosso espaço e fazer nossa pauta lá dentro também”, diz Alvarez, sobre a intenção de trabalhar os temas. A iniciativa também mostra aos estudantes que há um grupo na região que desenvolve pesquisas sobre o tema.
A ação também quer incentivar os estudantes a conhecerem as universidades públicas, mostrando que é possível o ingresso nessas instituições. “Eu já consegui muitos relatos emocionantes de alunos, que após alguns anos, vieram até mim e disseram que eram os primeiros da família a entrar na universidade”, relata Alvarez.
Neste primeiro momento, o projeto será desenvolvido no CIEB e no Colégio Estadual Profª Terezinha Scaramussa, em Santa Cruz Cabrália, durante os próximos dois anos. Segundo a coordenação, a proposta é fortalecer o diálogo com as escolas parceiras e, futuramente, ampliar para as outras instituições da rede pública.
Mais informações sobre o projeto estão disponíveis no instagram em: @rg_clima