Universitários capacitam cuidadores familiares de idosos

4 de junho de 2026
Universitários capacitam cuidadores familiares de idosos
Projeto capacita cuidadores familiares para aprimorar práticas de cuidado no atendimento domiciliar a idosos - Crédito: Lohaynne Miná

Com o aumento da expectativa de vida da população brasileira, cresce também a demanda de cuidados com pessoas idosas, uma responsabilidade que, muitas vezes, recai sobre a família. A partir dessas observações, a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) iniciou, em março deste ano, um projeto de extensão voltado para o suporte a cuidadores de pessoas idosas no município de Teixeira de Freitas.

A iniciativa, vinculada ao curso de Medicina e ao Centro de Formação em Ciências da Saúde, oferece informação teórica e prática para cuidadores familiares que atuam sem preparo técnico no cuidado cotidiano de idosos. O projeto integra estudantes, professores e profissionais da saúde que atuam com o objetivo de melhoria na qualidade de assistência prestada aos idosos e na qualidade de vida dos cuidadores.

Ao longo do projeto, são realizadas atividades como rodas de conversa, palestras, encontros formativos e dinâmicas educativas. Entre os temas abordados estão cuidados básicos com os idosos, prevenção de quedas, alimentação adequada e autocuidado do próprio cuidador.  A ação responde a uma necessidade social urgente, segundo a professora Ana Paula Pessoa, enfermeira de formação, com mestrado e doutorado na área  do envelhecimento e coordenadora do projeto: “Esse processo não apenas favorece a aquisição de conhecimento, mas também o desenvolvimento de habilidades e a construção de um lugar mais seguro, humanizado e eficaz para um ente que é cuidado”. 

Segundo ela, foi observado no projeto que a maioria dos cuidadores são majoritariamente mulheres. Isso, explica a professora, parte de uma expectativa cultural de que a responsabilidade do cuidado é apenas da mulher, o que gera uma sobrecarga invisível: muitas vezes elas precisam abandonar carreiras, limitar seu tempo de lazer e enfrentar problemas de saúde mental e física.

O projeto busca dar oportunidade para elas falarem sobre suas experiências e frustrações de cuidar sozinhas de um familiar sem preparo técnico. A percepção do autocuidado nesse momento é muito importante porque, quando isso não ocorre, a cuidadora acaba adoecendo junto com o idoso: “Se elas não cuidam delas, como é que elas vão ter condição de estar cuidando daquele idoso que está necessitando do cuidado dela?”, pergunta Pessoa.

O retorno de resultados tem sido rápido, segundo ela. Os cuidadores trazem suas demandas para serem orientados sobre qual ação tomar na prática. Quando os cursos são realizados na casa do cuidador com o idoso presente, o novo aprendizado é colocado em prática na hora, os resultados têm sido positivos.

Até o momento, cerca de 60 pessoas foram atendidas pelo projeto. A expectativa é que, no primeiro semestre de 2026, esse número aumente para cem pessoas beneficiadas e que a capacitação contribua para melhorar a assistência à população idosa e fortaleça o papel da atenção primária em saúde no município.

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