Por Hevilly Santos
Um posto de combustível instalado à beira-mar na zona sul de Ilhéus virou um dos principais assuntos em uma pesquisa da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). A descoberta é da engenheira agrícola e ambiental e professora da UFSB Leila Oliveira, coordenadora da pesquisa que investiga os metais contaminantes nas praias da região sul de Ilhéus. “Como houve o licenciamento de um posto de combustível na praia?”, questiona a pesquisadora.
Em 2025, Oliveira analisou os contaminantes orgânicos na região. O ponto próximo ao posto de combustível registrou concentrações de Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (grupo de substâncias químicas poluentes). “Os HPAs são cancerígenos e mutagênicos (mutações genéticas, físicas e químicas). Não significa que alguém vai tomar banho hoje e ter câncer amanhã. O risco é a longo prazo, com a exposição contínua e se a pessoa tiver predisposição genética”, afirma.
O risco não é exclusivo para quem só entra no mar. A pesquisadora alerta sobre a bioacumulação (acúmulo de substâncias tóxicas e metais pesados): “Se você tem um peixe que está ali presente numa água contaminada, ele vai bioacumular e por acaso uma pessoa se alimentar desse peixe vai estar se contaminando”. Segundo a pesquisadora, a expansão imobiliária tem aumentado na região sul de Ilhéus:
“Conseguimos ver uma degradação ambiental que vem acontecendo com a diminuição da faixa de areia. O que antes era praia hoje em dia vem sendo invadido por esses condomínios”.
Para Oliveira, falta mais respeito à legislação do município. Ela defende que a população se informe sobre os licenciamentos dos empreendimentos próximos às praias. “Houve uma degradação para construção. A urbanização é necessária, mas deve haver respeito à legislação. As pessoas precisam ter essa consciência ambiental, educação ambiental”, explica.
A cientista afirma que sua expectativa é que a ciência financiada com impostos dê retorno à sociedade. “Eu não posso simplesmente querer alimentar meu Lattes”, diz, em referência ao modelo padronizado de currículo acadêmico e científico. “Isso seria muito para alavancar meu ego e ter um Lattes super recheado, mas qual seria a devolutiva para sociedade?