Estudo avalia mudanças na zona litorânea de Ilhéus para planejar futuro sustentável

13 de julho de 2026
Estudo avalia mudanças na zona litorânea de Ilhéus para planejar futuro sustentável
Porto de Ilhéus - Crédito: Companhia das Docas do Estado da Bahia (CODEBA)

Por Millena Evylin

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) utiliza recursos computacionais e mapas digitais para ajudar a planejar o futuro sustentável da cidade de Ilhéus. O estudo está analisando o deslocamento da areia na zona litorânea da cidade por meio do uso de imagens de satélite e inteligência artificial. 

O levantamento, conduzido pelo pesquisador Hércules da Silva Carvalho, analisa como a linha de costa se comporta após décadas de construções feitas na zona litorânea. A pesquisa busca entender como o ambiente busca seu equilíbrio natural, entendendo como a natureza reage a grandes obras, como o Porto do Malhado. Inaugurado em 1971, esse porto foi o primeiro do Brasil em mar aberto, segundo a Companhia das Docas da Bahia (Codeba).

Carvalho explica que, para alcançar detalhes, a pesquisa utiliza métodos de processamento de mapas e observação por satélite. O estudo utiliza ainda o chamado “aprendizado de máquinas” para identificar nas imagens os tipos de vegetação e analisar o uso da terra na bacia do Rio Almada. O pesquisador esclarece que, embora o aprendizado de máquinas seja um braço da inteligência artificial, capaz de identificar sozinho formatos do terreno e melhorar a qualidade de imagens de satélite, seu uso no projeto ainda está sendo testado. Atualmente, o estudo foca em ler o que já foi escrito sobre o tema e analisar dados antigos para recuperar a história da costa, comparando dados de 1985 até 2025, para entender a velocidade das mudanças na praia. 

A pesquisa usou programas computacionais para medir com precisão, a partir das imagens, se a areia aumentou ou diminuiu, comparando décadas de registros fotográficos feitos por satélites. “Foram ferramentas utilizadas na identificação do avanço ou recuo da linha de costa próximo ao porto e geraram resultados que ainda estamos avaliando”, afirma o pesquisador.

Segundo Carvalho, o estudo vê a zona da praia como um organismo que está sempre se ajustando. “Consideramos que o encontro dos rios com o mar, como os rios Almada e Cachoeira, busca um estado de equilíbrio, resultado da briga entre forças naturais, como ondas e marés, e as construções feitas pelas pessoas”, explica o pesquisador. Ele reforça que o cenário atual mostra os pontos de onde o mar tira areia e onde a terra ganha espaço, mostrando como os efeitos das obras se somam às mudanças naturais do tempo.

A importância da pesquisa está em separar o que é impacto de obras antigas do que é influência natural atualmente. O estudo pretende ajudar o governo estadual e a prefeitura a criarem políticas mais assertivas para um planejamento urbano melhor para Ilhéus. “Esperamos que os resultados contribuam para a tomada de decisão, adotando como critério a proposição de medidas economicamente viáveis que integrem soluções baseadas na natureza ou intervenções de engenharia”, conclui o pesquisador. 

A pesquisa de Carvalho acontece no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil e Ambiental da UFSB e da Universidade Estadual da Santa Cruz (UESC), sob orientação do professor Vinícius de Amorim Silva e integra os trabalhos do Grupo de Estudos em Geotecnologias, Inteligência Artificial e Dinâmica Socioambiental (Gedai).

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