Por Millena Evylin
Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) utiliza recursos computacionais e mapas digitais para ajudar a planejar o futuro sustentável da cidade de Ilhéus. O estudo está analisando o deslocamento da areia na zona litorânea da cidade por meio do uso de imagens de satélite e inteligência artificial.
O levantamento, conduzido pelo pesquisador Hércules da Silva Carvalho, analisa como a linha de costa se comporta após décadas de construções feitas na zona litorânea. A pesquisa busca entender como o ambiente busca seu equilíbrio natural, entendendo como a natureza reage a grandes obras, como o Porto do Malhado. Inaugurado em 1971, esse porto foi o primeiro do Brasil em mar aberto, segundo a Companhia das Docas da Bahia (Codeba).
Carvalho explica que, para alcançar detalhes, a pesquisa utiliza métodos de processamento de mapas e observação por satélite. O estudo utiliza ainda o chamado “aprendizado de máquinas” para identificar nas imagens os tipos de vegetação e analisar o uso da terra na bacia do Rio Almada. O pesquisador esclarece que, embora o aprendizado de máquinas seja um braço da inteligência artificial, capaz de identificar sozinho formatos do terreno e melhorar a qualidade de imagens de satélite, seu uso no projeto ainda está sendo testado. Atualmente, o estudo foca em ler o que já foi escrito sobre o tema e analisar dados antigos para recuperar a história da costa, comparando dados de 1985 até 2025, para entender a velocidade das mudanças na praia.
A pesquisa usou programas computacionais para medir com precisão, a partir das imagens, se a areia aumentou ou diminuiu, comparando décadas de registros fotográficos feitos por satélites. “Foram ferramentas utilizadas na identificação do avanço ou recuo da linha de costa próximo ao porto e geraram resultados que ainda estamos avaliando”, afirma o pesquisador.
Segundo Carvalho, o estudo vê a zona da praia como um organismo que está sempre se ajustando. “Consideramos que o encontro dos rios com o mar, como os rios Almada e Cachoeira, busca um estado de equilíbrio, resultado da briga entre forças naturais, como ondas e marés, e as construções feitas pelas pessoas”, explica o pesquisador. Ele reforça que o cenário atual mostra os pontos de onde o mar tira areia e onde a terra ganha espaço, mostrando como os efeitos das obras se somam às mudanças naturais do tempo.
A importância da pesquisa está em separar o que é impacto de obras antigas do que é influência natural atualmente. O estudo pretende ajudar o governo estadual e a prefeitura a criarem políticas mais assertivas para um planejamento urbano melhor para Ilhéus. “Esperamos que os resultados contribuam para a tomada de decisão, adotando como critério a proposição de medidas economicamente viáveis que integrem soluções baseadas na natureza ou intervenções de engenharia”, conclui o pesquisador.
A pesquisa de Carvalho acontece no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil e Ambiental da UFSB e da Universidade Estadual da Santa Cruz (UESC), sob orientação do professor Vinícius de Amorim Silva e integra os trabalhos do Grupo de Estudos em Geotecnologias, Inteligência Artificial e Dinâmica Socioambiental (Gedai).