Estudo no Sul da Bahia aponta importância da restauração florestal no combate às mudanças climáticas 

1 de agosto de 2026
Estudo no Sul da Bahia aponta importância da restauração florestal no combate às mudanças climáticas 
Vegetação nativa em destaque - Crédito: Ketrin Silva

Por Ketrin Silva

Como as florestas da nossa região podem ajudar a frear o aquecimento global? Uma pesquisa realizada no Programa de Pós-Graduação em Biossistemas da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) investigou como diferentes técnicas de plantio de árvores em áreas de recuperação florestal ajudam a acelerar o chamado “estoque de carbono” (CO2), que é a capacidade que as árvores têm de absorver gás carbônico da atmosfera e guardá-lo nos seus troncos e folhas. 

O estudo, que fez parte do doutorado da bióloga Marília Botelho da Silva Bomfim, analisou áreas de restauração florestal no Sul da Bahia para entender o que funciona melhor na prática para fazer a floresta crescer forte.

Bomfim explica que o interesse pela pesquisa surgiu durante sua formação acadêmica, a partir da vontade de compreender melhor a relação entre natureza, conservação ambiental e mudanças climáticas. “Meu interesse sempre partiu da busca por entender um pouco mais sobre a natureza. No meu doutorado, vi a chance de estudar o estoque de carbono aliado a técnicas que ajudam as espécies nativas a se desenvolverem melhor”, conta Marília.

Um dos métodos testados pela bióloga logo no início do plantio foi o uso de “adubos verdes”, técnica em que plantas como o feijão-guandu são cultivadas no meio das árvores nativas. Elas cobrem a terra, evitam o mato invasor e, quando morrem, viram adubo natural. A pesquisa mostrou que a tática funciona muito bem para manter o terreno limpo sem veneno, embora o impulso no crescimento das árvores aconteça aos poucos. 

Bomfim também analisou áreas que já foram reflorestadas há 12 anos por dois caminhos: plantando mudas do zero em pastos antigos ou ajudando lugares que já tinham um pouquinho da vegetação a se recuperarem sozinhos. O resultado mostrou que, onde já havia alguma vegetação viva, a floresta voltou de forma mais rica e natural. Já nos antigos pastos, o segredo foi plantar árvores com madeiras mais firmes e densas, como o jitaí, que são campeãs em limpar o ar.

Área com diversidade vegetal no Sul da Bahia – Crédito: Ketrin Silva



Para a pesquisadora, a realização do estudo é especialmente importante para o Sul da Bahia devido à biodiversidade presente na região e à presença de remanescentes da Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do país. “As informações deste estudo podem contribuir para o fortalecimento de estratégias locais relacionadas à conservação e restauração desses ecossistemas florestais”, afirma. 

Segundo Bomfim, o estudo busca avançar nas discussões sobre mercado de carbono e estratégias de enfrentamento às mudanças climáticas. Para a cientista, além de ampliar o conhecimento científico sobre a restauração florestal, é preciso transformar esse conhecimento em ações concretas. “A gente precisa acelerar os passos. Trazer o debate é um caminho, mas precisamos avançar muito em ações práticas”, relata.

Orientada pelo professor Daniel Piotto, a pesquisa “Estoque de Carbono de árvores nativas em diferentes manejos de produção e restauração florestal” pode ser consultada no acervo do site da UFSB, no link: https://ufsb.edu.br/cfcaf/ensino-cfcaf/pos-graduacao/ppg-biossistemas

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