Pesquisa usa satélites e inteligência artificial para monitorar aquicultura no semiárido baiano

3 de agosto de 2026
Pesquisa usa satélites e inteligência artificial para monitorar aquicultura no semiárido baiano
Mapa das Pisciculturas Bastos, Macedo e Condevasf em Xique-Xique - BA Crédito: Breno Arles

Por Samuel Limah

Um estudo desenvolvido na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) propõe uma nova forma de monitorar a produção de peixes utilizando tecnologia espacial. A pesquisa, conduzida pelo engenheiro de pesca Breno Arles da Silva Santos, mostra como imagens de satélite combinadas com inteligência artificial podem ajudar a mapear viveiros de piscicultura no município de Xique-Xique, na Bahia.

A pesquisa comparou métodos tradicionais de análise de imagens com técnicas mais recentes, baseadas no chamado “aprendizado de máquina”. Utilizou ainda dados do satélite CBERS-4A, equipamento desenvolvido pelo Brasil e China que funciona como uma “câmera gigante” no espaço, registrando imagens da superfície da Terra.

Resultado de uma parceria binacional de mais de 30 anos, o CBERS-4A começou a ser desenvolvido em 2015, e seu lançamento aconteceu em 2019, a partir do Centro de Lançamento de Taiyuan, na China.

Os resultados do estudo de Santos apontaram que modelos computadorizados mais avançados, como o chamado Random Forest (um tipo de algoritmo que analisa padrões em grandes volumes de dados), apresentam maior precisão na identificação de áreas aquícolas quando comparados às técnicas convencionais.

O pesquisador explica que, além do avanço científico, o estudo pode trazer benefícios diretos para a população, explica o pesquisador. Com informações mais precisas sobre onde e como a piscicultura está sendo praticada. Ele agrega que é possível melhorar o planejamento da produção de alimentos, monitorar a qualidade da água e evitar conflitos pelo uso de recursos naturais. “Essas tecnologias permitem que a gente entenda como a atividade está crescendo, onde está concentrada e como pode ser melhor organizada. Isso ajuda tanto os produtores quanto às instituições que acompanham o setor”, completa.

Segundo o pesquisador, o uso dessas tecnologias pode facilitar processos que hoje são burocráticos e demorados. “Quando a gente traz novas tecnologias, é justamente para facilitar o processo. O uso de imagens de satélite ajuda muito, principalmente quando os órgãos ambientais precisam analisar e liberar atividades”Breno, explica. Breno também destaca que a simplificação no licenciamento ambiental pode impactar diretamente os produtores: “Quanto mais fácil o processo de licenciamento, maiores são as chances de acesso a crédito. E isso é essencial para que a atividade cresça e se desenvolva”..

A pesquisa também tem relação com a preservação ambiental. O monitoramento por satélite permite acompanhar, à distância, o uso da água e a ocupação do território, gerando dados para o controle ambiental.

“Com o sensoriamento remoto, conseguimos entender quanto da atividade está ocupando o espaço e acompanhar isso de forma contínua. Isso é fundamental para garantir um uso sustentável dos recursos naturais”, afirma o pesquisador.

Outro destaque do estudo é o potencial de influência nas políticas públicas. Com dados mais confiáveis, gestores podem tomar decisões mais estratégicas, explica Santos:

“Esse tipo de monitoramento dá poder de informação para os órgãos públicos. Com isso, é possível criar políticas de incentivo, regularizar empreendimentos e apoiar pequenos produtores”, explana ele. “[…] Hoje, grande parte da produção vem de pequenas famílias, que muitas vezes não conseguem se regularizar por causa do alto custo e da demora dos processos.’’.

Sobre o uso das imagens de satélite, o pesquisador destaca uma vantagem importante: “O CBERS-4A é um satélite com imagens gratuitas, o que facilita muito o trabalho, porque reduz custos. Além disso, utilizamos softwares livres, ou seja, ferramentas que qualquer pessoa pode acessar”. Ele também aponta limitações, como a qualidade das imagens em regiões com muita cobertura de nuvens, especialmente no litoral, o que pode dificultar a análise.

 O trabalho foi defendido como dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Biossistemas em 2026 e está disponível para consulta.

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