Por Lohaynne Miná
As restingas baianas estão se degradando pela ação humana e não apenas por fenômenos naturais. Essa é uma observação que Hilary Alves, estudante de Biologia da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), tem percebido ao longo de seus estudos na graduação. Segundo a estudante, “A degradação desse ambiente não é só prejudicial para as espécies que dependem dele diretamente, mas é prejudicial também para nós porque afeta a qualidade da água, o equilíbrio climático e a beleza. É um ambiente que precisa ser conservado e preservado”.
A Rede Beira-Mar, vinculada ao Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBIO), vem desenvolvendo pesquisas voltadas para a preservação das restingas da Bahia e do Espírito Santo, buscando investigar a biodiversidade, a estrutura da vegetação, a diversidade genética e alternativas para recuperação de áreas degradadas. O projeto reúne estudantes e pesquisadores especialistas em Restingas de diferentes instituições brasileiras de ensino, incluindo a UFSB, com o foco na conservação e na ampliação do conhecimento sobre o ecossistema.
As restingas são ecossistemas de áreas costeiras associadas à Mata Atlântica e são consideradas muito importantes para a biodiversidade. Elas formam barreiras naturais contra o avanço do mar, ajudam a absorver o excesso da água proveniente de chuvas intensas e da elevação do lençol freático. As restingas também são habitat de diversas espécies. Contudo, ainda enfrentam problemas, pois 87% delas sofreram degradação ambiental no Brasil por ações humanas, como a ocupação irregular e o turismo irresponsável, segundo a Rede Beira-Mar.
O pesquisador Jorge Antônio Silva Costa explica:
“Quando a gente modifica a restinga, a gente perde a beleza natural, a história e as funções ecológicas dos serviços ambientais que a restinga dá pra gente de graça, o que poderá futuramente levar à destruição de grande parte do patrimônio que a gente tentou construir sobre esse ecossistema, simplesmente porque não respeitamos o conhecimento científico já acumulado sobre esse ambiente”.
Muitas pessoas ainda desconhecem a importância dessas áreas para o equilíbrio ambiental.
“Toda vez que a gente substitui a restinga por qualquer tipo de outro ambiente ou a gente retira a vegetação da restinga, está desequilibrando o ambiente e consequentemente iniciando a contagem regressiva para a destruição de patrimônio privado ou público, ou mesmo contribuindo para uma futura catástrofe”, aponta Costa.
Iniciativas como o projeto Rede Beira-Mar, diz o pesquisador, são fundamentais para ampliar os estudos sobre as restingas e incentivar políticas de conservação ambiental no país. Chamamos de sítios de coleta as áreas onde as pesquisas voltadas à flora são desenvolvidas. Dois desses sítios estão localizados no município de Porto Seguro, são eles: o Refúgio de Vida Silvestre do Rio dos Frades e o Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal. Neles, mais de 800 espécies de plantas nativas foram encontradas, das quais 130 nunca haviam sido registradas e 11 foram exclusivas das restingas baianas.
A expectativa da Rede Beira-Mar é que os dados produzidos contribuam para políticas públicas de conservação e para a valorização de um dos ecossistemas mais importantes e, ao mesmo tempo, mais ameaçados do litoral brasileiro.
Nas redes sociais, o projeto divulga atualizações dos processos de pesquisa, eventos e ações de preservação da restinga. Para saber mais, acesse o @ppbiorestinga no instagram ou o site do projeto ufrb.edu.br/ppbio/ocurso.