Restingas de Porto Seguro integram pesquisa sobre conservação de áreas costeiras

26 de agosto de 2026
Restingas de Porto Seguro integram pesquisa sobre conservação de áreas costeiras
Restinga na praia de Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, o ecossistema costeiro é objeto de pesquisas no litoral da Bahia e do Espírito Santo. (Foto: Lohaynne Miná)

Por Lohaynne Miná

As restingas baianas estão se degradando pela ação humana e não apenas por fenômenos naturais. Essa é uma observação que Hilary Alves, estudante de Biologia da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), tem percebido ao longo de seus estudos na graduação. Segundo a estudante, “A degradação desse ambiente não é só prejudicial para as espécies que dependem dele diretamente, mas é prejudicial também para nós porque afeta a qualidade da água, o equilíbrio climático e a beleza. É um ambiente que precisa ser conservado e preservado”.

A Rede Beira-Mar, vinculada ao Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBIO), vem desenvolvendo pesquisas voltadas para a preservação das restingas da Bahia e do Espírito Santo, buscando investigar a biodiversidade, a estrutura da vegetação, a diversidade genética e alternativas para recuperação de áreas degradadas. O projeto reúne estudantes e pesquisadores especialistas em Restingas de diferentes instituições brasileiras de ensino, incluindo a UFSB, com o foco na conservação e na ampliação do conhecimento sobre o ecossistema. 

As restingas são ecossistemas de áreas costeiras associadas à Mata Atlântica e são consideradas muito importantes para a biodiversidade. Elas formam barreiras naturais contra o avanço do mar, ajudam a absorver o excesso da água proveniente de chuvas intensas e da elevação do lençol freático. As restingas também são habitat de diversas espécies. Contudo, ainda enfrentam problemas, pois 87% delas sofreram degradação ambiental no Brasil por ações humanas, como a ocupação irregular e o turismo irresponsável, segundo a Rede Beira-Mar. 

O pesquisador Jorge Antônio Silva Costa explica:

“Quando a gente modifica a restinga, a gente perde a beleza natural, a história e as funções ecológicas dos serviços ambientais que a restinga dá pra gente de graça, o que poderá futuramente levar à destruição de grande parte do patrimônio que a gente tentou construir sobre esse ecossistema, simplesmente porque não respeitamos o conhecimento científico já acumulado sobre esse ambiente”.

Muitas pessoas ainda desconhecem a importância dessas áreas para o equilíbrio ambiental.

“Toda vez que a gente substitui a restinga por qualquer tipo de outro ambiente ou a gente retira a vegetação da restinga, está desequilibrando o ambiente e consequentemente iniciando a contagem regressiva para a destruição de patrimônio privado ou público, ou mesmo contribuindo para uma futura catástrofe”, aponta Costa.

Iniciativas como o projeto Rede Beira-Mar, diz o pesquisador, são fundamentais para ampliar os estudos sobre as restingas e incentivar políticas de conservação ambiental no país. Chamamos de sítios de coleta as áreas onde as pesquisas voltadas à flora são desenvolvidas. Dois desses sítios estão localizados no município de Porto Seguro, são eles: o Refúgio de Vida Silvestre do Rio dos Frades e o Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal. Neles, mais de 800 espécies de plantas nativas foram encontradas, das quais 130 nunca haviam sido registradas e 11 foram exclusivas das restingas baianas. 

A expectativa da Rede Beira-Mar é que os dados produzidos contribuam para políticas públicas de conservação e para a valorização de um dos ecossistemas mais importantes e, ao mesmo tempo, mais ameaçados do litoral brasileiro.

Nas redes sociais, o projeto divulga atualizações dos processos de pesquisa, eventos e ações de preservação da restinga. Para saber mais, acesse o @ppbiorestinga no instagram ou o site do projeto ufrb.edu.br/ppbio/ocurso.

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